Os ‘robôs’ que os bancões estão preparando para te atender

Entre os gestores de investimentos e MEIs, nas finanças pessoais e nos assistentes virtuais: as soluções com IA generativa parecem, de fato, ter vindo para ficar

Os principais bancos do Brasil estão se estruturando para que cada vez mais os serviços de atendimento ao cliente, e até as ferramentas utilizadas pelos gestores, sejam automatizados, com interações feitas por soluções de inteligência artificial (IA). A exemplo da BIA do Bradesco, que foi lançada em 2016, estas instituições financeiras buscam há anos criar seus próprios “robôs“, mas, agora, com a IA generativa (a inteligência capaz de produzir novos conteúdos a partir de instruções fornecidas pelos usuários) essas tentativas podem de fato ficar mais eficientes e sofisticadas.

A própria BIA foi turbinada com a IA generativa em 2023. Antes em operação somente como uma assistente virtual, a ferramenta atende agora 3 milhões de clientes, que podem interagir sobre produtos e serviços do banco, ordenar transações e até receber dicas de investimentos.

IA atendendo investidores

Já na gestora de recursos do banco, os mecanismos de IA são utilizados na leitura e análise das cartas de gestores. De acordo com Fernando Galdi, superintendente de estratégia e inovação da gestora do Bradescoa “IA aplicada às cartas de gestores” é capaz de ler ao mesmo tempo cerca de 100 a 140 documentos.

Com a solução, os profissionais internos podem fazer perguntas que são respondidas a partir de informações baseadas nos próprios conteúdos das cartas. A expectativa, segundo Galdi, é disponibilizar o recurso para clientes “private” (detentores de grandes patrimônios) e institucionais até o final de 2025.

A gestora, no entanto, já oferece um serviço criado com IA, no modelo OpenAI, para os investidores. Inserido no terminal da Bloomberg, o “Indicador Bradesco” é capaz de ler atas do Copom e do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) em até cinco minutos, fornecendo comparações e análises dos documentos, além de uma escala que classifica as atas em “hawk”, “dove” ou neutro”.

Outro tradicional banco que entrou na corrida para oferecer aos clientes produtos com IA generativa foi o Itaú. Em junho, a instituição financeira lançou para 10 mil clientes “uniclass” e “personalité” a primeira “IA assessora de investimentos” do Brasil.

E os assessores?

Criada a partir de IA generativa, o assessor virtual do Itaú é capaz de interagir de forma hiperpersonalizada com o usuário, recomendando aplicações com base no seu perfil e histórico.

Em reportagem anteriormente publicada pelo Valor Investe, o banco informou que a expectativa é expandir o produto para os clientes correntistas do Itaú com uma ferramenta que promete conduzir o investimento sem que isso se transforme em um custo adicional para o usuário.

A seção de investimentos do aplicativo, no entanto, já utiliza inteligência artificial para diagnosticar e oferecer sugestões para o investidor. A diferença é que agora, com a IA generativa no agente virtual, é possível “conversar” com a nova ferramenta, numa espécie de consulta sobre produtos, serviços e o que mais o cliente quiser saber dentro do universo financeiro.

IA nas finanças pessoais

Já o Banco do Brasil caminha com a IA para que o cliente possa, sozinho, gerenciar suas finanças pessoaisinclusive aqueles que são microempreendedores individuais (MEIs) e precisam de soluções focadas em administrar os negócios.

Para este grupo, o banco lançou a ferramenta “Ari” (Área de Recomendações Inteligentes), uma espécie de copiloto que oferece “insights” e recomendações personalizadas, que consideram o perfil e o comportamento do cliente, o momento de cada negócio e as transações financeiras.

Por exemplo, na prática a “Ari” é capaz de indicar qual é o dia de maior e menor volume de vendas do negócio, fornecer sugestões sobre produtos financeiros e até detectar sinais de inadimplência para imediatamente fornecer alertas, com orientações diretas ao cliente de como lidar com aquele desafio.

De acordo com Jean Martinelli, executivo responsável por inovação aberta no Banco do Brasil, a solução entrou no mercado em 2024 com 34 insights, hoje já são quase 50 e a expectativa é que, em 2026, sejam entregues mais 300 alertas. Durante painel na Febraban Tech (o principal evento do Brasil sobre tecnologia bancária), o executivo disse, também, que a “Ari” já gerou mais de 60 milhões de recomendações, impactando 2,5 milhões de micros e pequenos empresários.

O Banco do Brasil tem também o aplicativo “Minhas Finanças Multibanco”, que ajuda o cliente a gerenciar o seu orçamento. A versão multibanco foi lançada em 2022, mas em junho deste ano passou a ser turbinada pela IA generativa.

Agora, a solução disponibiliza dicas personalizadas sobre gestão financeira para diferentes públicos. De acordo com a instituição financeira, as recomendações “passam por um processo de curadoria humana”, a fim de diminuir os vieses “indesejados”.

O aplicativo oferece, entre outras funcionalidades, planejamento financeiro, extratos, controle de entradas e saídas e monitoramento de gastos.

Fonte: O globo

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